quarta-feira, 14 de julho de 2021

ALERTA URGENTE SOBRE OS DANOS SOCIOAMBIENTAIS DA RETOMADA DO USO DO CARVÃO MINERAL DO RS (2021)

 

Em 2011, a Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do RS (APEDeMA/RS) havia alertado para os riscos socioambientais da expansão do uso energético do carvão mineral do Estado[1], em discussão na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O tema segue em discussão na ALERGS neste ano de 2021, mas deve considerar o conjunto de evidências crescentes que demonstram sua inviabilidade econômica e ambiental desta fonte fóssil de energia.

No presente momento, reiteramos, como já fizemos há 10 anos, que temos outras fontes diversas de energias renováveis, sendo que o aproveitamento do carvão como fonte energética corresponde a uma tecnologia obsoleta, antieconômica, profundamente danosa à saúde humana e ao meio ambiente, além de contribuir significativamente para piorar a crise climática atual, em decorrência do aumento dos gases de efeito estufa. Chamamos a atenção para a tendência mundial pela transição energética com foco, principalmente, na descarbonização das matrizes e nas demais iniciativas de menor impactos ambientais, conforme os argumentos apresentados a seguir:

O CARVÃO MINERAL E SEUS ALTOS CUSTOS CLIMÁTICOS, AMBIENTAIS E ECONÔMICOS FRENTE ÀS FONTES RENOVÁVEIS

1)                 As térmicas a carvão mineral contribuem com mais de 40% dos gases de efeito estufa (GEE) no mundo, o que incrementa ainda mais o nível atual de 416 ppm de CO2[2] na atmosfera do planeta, o que corresponde a um aumento de cerca de 50% desde meados do século XVIII. Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA, 2016, p. 7)[3]as térmicas fósseis também configuram a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa (GEE) do setor elétrico brasileiro”.

2)                 O aumento continuo das emissões antrópicas está trazendo sérias consequências à nossa sobrevivência como espécie e também à biodiversidade como um todo. A liberação espontânea de clatratos de metano e CO2 do oceano e dos solos outrora permanentemente cobertos de gelo da Sibéria e da América do Norte associada ao processo de degelo junto ao Ártico está causando uma reação em cadeia da liberação desses gases, bem como o fim precoce da calota polar ártica no verão prevista inicialmente para 2080.[4] [5] [6] [7] [8]

 

3)                 O Secretário Geral da ONU, António Guterres, advertiu para o problema da crise climática, com a seguinte declaração: “Nenhum outro desafio em escala global é tão ameaçador quanto as mudanças climáticas”. Ainda segundo o Secretário da ONU: “Ou paramos com esse vício em carvão ou todos os nossos esforços para combater a mudança climática estarão condenados[9].

4)                 O uso do carvão está sendo abandonado no mundo[10]. A partir de 2017, pelo menos 34 países signatários do Acordo de Paris, que visa evitar a subida da temperatura atmosférica do planeta acima de 2oC, e o consequente caos climático, fazem parte da Aliança Internacional pelo abandono do Carvão (Powering Past Coal Alliance - PPCA)[11], que visa o banimento do uso do carvão como fonte energética até 2030[12]. O grupo liderado por Canadá e Reino Unido, incorporando também governos subnacionais e empresas, inclui países como Alemanha, Angola, Áustria, Bélgica, Costa Rica, Dinamarca, El Salvador, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Ilhas Fiji, Ilhas Marshall, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Peru, Portugal, Suécia e Suíça. No caso do ingresso recente da Alemanha, o país maior consumidor de carvão da Europa, a ministra de Meio Ambiente, Svenja Schulze, confirmou em 2019 que seu país iria aderir ao PPCA, afirmando que “o abandono do carvão mineral é um pilar central da proteção global do clima". A Alemanha, já fechou suas últimas minas de carvão em dezembro de 2018[13] e em 2020 teve mais da metade se sua energia elétrica derivada de fontes renováveis[14].

5)                 A exploração de novas jazidas de carvão e outros combustíveis fósseis no mundo não é compatível com a meta do Acordo de Paris, assinado por 195 países, incluindo o Brasil, em se limitar o aumento da temperatura média global em 2 °C, a fim de se evitar as piores consequências relacionadas às mudanças climáticas.

6)                 A ONU, durante a Conferência chamada Rio+20, desenvolveu 17 Metas ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030, sendo que a Meta 7 relacionada ao fornecimento deEnergia limpa e acessível - Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos[15]. A meta ODS 13 propõe: “Ação contra a mudança global do clima: Adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos”. Como fazer isso sem a substituição paulatina dos combustíveis fósseis pelas energias renováveis?

7)                 A Assembleia Legislativa e a população do Rio Grande do Sul não devem esquecer que nosso País e nosso Estado possuem Políticas voltadas ao enfrentamento das Mudanças Climáticas, ou seja, a Lei Federal nº 12.187/2009[16] (Política Nacional de Mudanças Climáticas) e a Lei Estadual nº 13.594/2010 (Política Estadual de Mudanças Climáticas). A Política Nacional define, em seu Artigo 11º (Parágrafo Único), que os planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas visam a “consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de energia elétrica(grifo nosso), no transporte, uso industrial, entre outros. No âmbito da respectiva Política Estadual, o Artigo 9º[17], exige a realização de Avaliação Ambiental Estratégica para o processo de desenvolvimento setorial, de maneira a analisar “de forma sistemática as consequências ambientais de políticas, planos e programas públicos e privados, frente aos desafios das mudanças climáticas, considerando, dentre outros, o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) (grifo nosso).

8)                 Os custos do carvão mineral tornaram-se mais elevados do que aqueles referentes à produção de energia via fontes solar ou eólica[18], o que também é reconhecido inclusive pelo Fórum Econômico Mundial de Davos[19]. Os Estados Unidos da América se comprometeram inclusive em estabelecer um plano para eliminar o financiamento internacional para projetos de combustíveis fósseis com recursos públicos[20]. Os subsídios governamentais à indústria dos combustíveis fósseis no mundo tendem a ser cada vez mais onerosos financeiramente (Lunden e Fjaertoft, 2014)[21]. Infelizmente, o carvão mineral só se torna viável economicamente com base em subsídios públicos. No ano de 2019, o governo do Brasil concedeu R$ 99,4 bilhões em subsídios a produtores e consumidores de combustíveis fósseis (derivados de petróleo, carvão mineral e gás natural)[22].

9)                 No Brasil, está ocorrendo um desenvolvimento exponencial das fontes de energias solar e eólica, gerando muitos milhares de empregos através dessas matrizes energéticas. Em julho de 2021, no Estado do Piauí, foi construída a maior usina de energia solar da América Latina, com capacidade de mais de 810 MW[23], em uma área concentrada de 187 hectares. Consideramos que, preferencialmente, a fonte solar fotovoltaica deva ser desenvolvida de forma descentralizada, como já ocorre na Alemanha, onde a capacidade de geração elétrica solar fotovoltaica (46 GW)[24] já ultrapassa em mais de 3 (três) vezes a produção da Usina Hidrelétrica de Itaipu (14 GW). Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) até 2029 as fontes solar e eólica no país atingirão juntas 24%, praticamente 1/4 de todas as fontes de geração de energia elétrica[25]. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia (MME), as fontes eólica e solar fotovoltaica têm se mostrado economicamente mais competitivas relativamente às demais tecnologias[26]. O cientista Enio B. Pereira (INPE) afirma que o potencial de energia solar fotovoltaica equivalente à área do lago da desastrosa hidrelétrica Balbina (AM) supriria todas as necessidades do Brasil, ou se utilizássemos as áreas degradadas ou em desertificação em nosso território (70 mil km2) poderíamos gerar, via painéis fotovoltaicos, 30 vezes a demanda atual de energia elétrica do país só nestas áreas[27].

10)             No que toca à fonte eólica, a capacidade implantada de geração de energia eólica no Brasil já atinge 18 GW, cerca de 10% da energia total elétrica gerada no país[28] . Há pouco mais de 10 anos, o então diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmava que o Brasil poderia gerar 300 GW[29] com base na energia eólica, o que corresponderia na época a mais de duas vezes o que o país gastava de energia elétrica. Estes valores potenciais, atualmente com equipamentos com torres mais altas e eficientes, já são de mais de  800 GW, ou 2,5 vezes maiores[30] do que os apontados por Tolmasquim. No Rio Grande do Sul, existe em operação, projetadas e em obras, dezenas de Parques de energia eólica, mais do que geram as térmicas a carvão, em um Estado que tem potencial de gerar 15% desta fonte de energia no território brasileiro[31]. Só na fabricação de aerogeradores existem cinco empresas no Brasil, que geram milhares de empregos. Por que não desenvolver esta indústria mais limpa e transferir os empregos da atividade carbonífera para estas atividades de fontes renováveis?

11)             No Brasil, torna-se importante também a fonte de bioenergia, principalmente biomassa (bagaço de cana e outros derivados, metano de aterros sanitários com resíduos orgânicos, lenha, etc.), o que corresponde a 8,5 % do total de energia elétrica gerada no Brasil ou seja 14,9 MW, o que equivale a cerca de 3 a 4 vezes a energia proveniente do carvão mineral (2,1%, ou 3,6 MW, em 2019). A bioenergia apresenta grande potencial de crescimento, via biomassa, preferentemente obtida de fontes diversas e mais sustentáveis - desde que não a das monoculturas – além de biogás, ou mesmo a partir da queima de resíduos orgânicos urbanos e rurais, cascas de arroz, resíduos de produtos agrícolas, etc. Estas fontes de bioenergia, junto com as hidrelétricas já construídas, podem atuar na regulação da intermitência de fontes solar e eólica, eliminando os combustíveis fósseis usados para esta finalidade.

12)  A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME) (TOLMASQUIM, 2016)[32], reconhece que “o carvão nacional é classificado como um carvão de baixa qualidade por apresentar, como características básicas, elevado teor de inertes (cinzas) e enxofre”. Outros setores do governo federal admitem que “o carvão brasileiro é considerado de qualidade inferior devido aos elevados teores de cinzas e enxofre”[33]. O Brasil possui 0,1% do carvão conhecido no mundo, mas é considerado de baixa qualidade por possuir menor concentração de carbono[34].

 


O CARVÃO E SEUS DANOS À SAÚDE E AO MEIO AMBIENTE

13)             A produção de energia à base de carvão, apesar de ainda ser uma das fontes de produção de eletricidade mais utilizadas em todo o mundo, libera a maior concentração de gases e partículas poluentes, além de metais pesados tóxicos. Pesquisas toxicológicas mostram que os subprodutos da combustão do carvão são cancerígenos, desreguladores endócrinos e correspondem a toxinas cardiorrespiratórias graves, entre outros efeitos prejudiciais[35].

14)             Como o saudoso professor e ambientalista Flávio Lewgoy assinalava, a composição química do carvão mineral do Sul do Brasil é considerada uma verdadeira enciclopédia de venenos. Destacamos os metais pesados tóxicos tremendamente prejudiciais, assinalando aqui o vapor de mercúrio metálico, emitido na combustão do carvão. São lançados na atmosfera 300 g de vapor metálico de mercúrio para cada tonelada de carvão gaúcho queimado, ou seja, 0,3% do seu peso podem ser representados pelo mercúrio (Prof. Flávio Lewgoy, comunicação pessoal). Em forma gasosa, as tecnologias de controle de poluição são incapazes de reduzir estas emissões. A concentração de vapor de mercúrio metálico no carvão do Brasil é seis vezes superior aquela encontrada no carvão mineral dos Estados Unidos, onde são liberados à atmosfera, em média 44 gramas para cada tonelada queimada. Os processos biológicos modificam a maior parte do mercúrio depositado para metil-mercúrio, uma potente neurotoxina que humanos e outros organismos terrestres e aquáticos absorvem com facilidade, como ocorreu em 1956, em Minamata, Japão. Este metal pesado se acumula nas cadeias alimentares dos ecossistemas, chegando a concentrar centenas de vezes mais em peixes, de consumo humano. O mercúrio, juntamente com chumbo, cádmio, vanádio, arsênio, manganês, zinco e outros mentais pesados afetam o sistema nervoso, principalmente em crianças.

15)             O material particulado, originado desde a poeira de carvão da extração e transporte em minas como no beneficiamento e a combustão do carvão fóssil, pode causar sérios danos ao sistema respiratório, principalmente em partículas minúsculas (Material Particulado-MP de 2,5 micra). Pesquisas recentes comprovam que seu efeito tóxico pode atravessar os pulmões e invadir a corrente sanguínea, causando estresse oxidativo, conduzindo a doenças cardíacas, infartos, mortes prematuras e doenças como Parkinson e Alzheimer. Em 2004, constataram-se 25.100 mortes anuais nos EUA atribuídas à poluição aérea[36] proveniente de 600 termoelétricas à carvão mineral. [37] Os que morrem prematuramente, devido à exposição mais intensa ao material particulado, perdem, em média, 14 anos de suas vidas. A queima do carvão responde, também, por outras conseqüências[38] como 554.000 ataques asmáticos, 16.200 casos de bronquite crônica e 38.000 infartos não fatais, anualmente. A poluição atmosférica dessas usinas térmicas responde por uma estimativa adicional nos custos da área de saúde, naquele país, de mais de 160 bilhões de dólares anuais.

16)             Além dos metais pesados e dos materiais particulados, gases tóxicos atuam no sistema respiratório dos moradores e moradoras dos arredores das minas e das térmicas a carvão mineral. Destacamos aqui o SO2 - dióxido de enxofre, CO2 - dióxido de carbono, e NOx - óxidos de nitrogênio, os quais resultam em ozônio ao nível da superfície. O dióxido de enxofre e o ozônio são gases altamente corrosivos, que causam falência respiratória e contribuem para a baixa de peso dos nascituros e no aumento da mortalidade infantil[39]. Os gases SO2 e NOx estão também relacionados às causas primárias da chuva ácida. O CO2 é o gás dominante responsável pelo efeito estufa, que está elevando as temperaturas da atmosfera global a 0,8ºC e acidificando os oceanos em intensidades nunca vistas. Durante a queima do carvão mineral, a combinação de cloro e de núcleos aromáticos pré-existentes propicia a liberação de dioxinas e de outros compostos organoclorados, altamente carcinogênicos.

17)             A atual mineração de carvão exerce grande impacto ambiental, destruindo parte da biodiversidade remanescente dos campos nativos do bioma Pampa, poluindo o ar, a terra e a água. Cabe destacar que o Pampa é o segundo bioma brasileiro com maior perda de remanescentes, depois da Mata Atlântica. É importante lembrar que em fevereiro de 2011, o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul recomendou a suspensão do funcionamento do Complexo Termelétrico de Candiota (RS) devido à constatação de índices de poluição muitas vezes acima dos limites de emissões permitidos pela legislação. [40] [41]

O QUE DEVE SER FEITO?

Como já assinalamos, existem alternativas, mas estas devem ser tratadas também com a sociedade, longe do negacionismo científico da crise climática e de forma democrática. Devemos superar a maneira superficial, tecnocrática e autoritária, levada a cabo por governantes e políticos desavisados ou que respondem a interesses econômicos imediatistas, em especial ao lobby do carvão mineral que é negacionista das mudanças climáticas. Além disso, parte importante de nossa energia é direcionada ao setor das indústrias eletrointensivas, de exportação de alumínio, ferro, cimento e celulose, que disponibilizam nossos recursos naturais para outros países transformarem em manufaturados, gerando mais renda lá fora do que no nosso próprio país.

A atual privatização do Setor Elétrico agrava ainda mais a situação, pois as empresas privadas não visam reduzir consumo de energia, ao contrário. Necessitamos de políticas públicas, sob o controle da sociedade, que reduzam a baixa eficiência e a perda excessiva de um sistema concentrado de produção e transmissão, promovendo-se fontes de energia renováveis e verdadeiramente sustentáveis, como a eólica, a solar, a biomassa (com vegetais em sistemas agroecológicos) e o biogás, a partir de resíduos orgânicos urbanos e rurais

Necessitamos, acima de tudo, de energias que contemplem uma sociedade calcada no princípio da precaução e na inteligência, não o contrário, como vem sendo feito. Os atuais padrões energívoros são profundamente insustentáveis, pois alimentam um modelo de sociedade baseado na produção industrial concentrada e no consumo ilimitado, num planeta com recursos naturais finitos.

As entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul, por intermédio da APEDEMA, reiteram, mais uma vez: Não há mais motivos para a utilização do carvão mineral, um dos combustíveis mais sujos do século XIX, e, portanto, seu uso deve ser abandonado, com urgência! Necessitamos de um debate amplo e uma revisão profunda na política energética do Estado do Rio Grande do Sul e do Brasil, vislumbrando o abandono do consumo do Carvão e dos demais combustíveis fósseis. Uma transição necessária para modelos mais sustentáveis, igualitários, com uso descentralizado e democrático de energias renováveis, em especial de fontes eólica, solar e de bioenergia diversa, longe do atual alto impacto ambiental e enorme risco à sociedade e à vida como um todo no Planeta.

 

Porto Alegre, 14 de julho de 2021.


Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente
(APEDeMA-RS).



[7] Schuur EAG, Vogel JG, Crummer KG, Lee H, Sickman JO, Osterkamp TE 2009. The effect of permafrost thaw on old carbon release and net carbon exchange from tundra. Nature 459: doi:10.1038/nature08031.

[8] Global warming could release trillions of pounds of carbon annually from East Siberia's vast frozen soils. American Geophysical Union (2008). ScienceDaily (12 June 2008). http://www.sciencedaily.com/releases/2008/06/080611154839.htm

[21] LUNDEN, P.; FJAERTOFT, D., 2014. Government Support to Upstream Oil & Gas in Russia: How Subsidies Influence the Yamal LNG and Prirazlomnoe Projects. Geneva: Global Subsidies Initiative.

[32] Tolmasquim, M. T. 2016. Energia Termelétrica: Gás Natural, Biomassa, Carvão, Nuclear. EPE: Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-173/Energia%20Termel%C3%A9trica%20-%20Online%2013maio2016.pdf

[39] LOCKWOOD, A.H. et al. El Impacto del Carbón sobre la Salud Humana - Un informe de Médicos para la Responsabilidad Social (Resumen Executivo) Physicians for Social Responsibility, 2009. Disponível em: https://www.psr.org/wp-content/uploads/2018/05/coals-assault-on-human-health-spanish.pdf .

domingo, 28 de março de 2021

Preservação Ambiental em Nova Petrópolis

Martin Grings *

O município de Nova Petrópolis está localizado na Encosta Meridional do Planalto da Serra Geral, região de contato entre a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e a Floresta Estacional Decidual (Florestas de encostas e fundos de vales). O contato entre duas formações florestais distintas, bem como a grande amplitude altitudinal (de 32 m, no Tirol a 840 m, no Morro da Fome e Chapadão), confere uma grande riqueza de espécies de fauna e flora. Até o momento, foram catalogadas cerca de 204 espécies de árvores nativas para o município (34% do total do Estado) (em 2009, Grings e Brack assinalavam 194 espécies), das quais uma espécie nova para a ciência (Mimosa sobralii Grings & O.S.Ribas). 

Mimosa sobralii espécie recém descrita pelo autor, e já consta Em Perigo (decreto 52.109/2014) 


Para outros hábitos de plantas nativas (ervas, arbustos, trepadeiras, epífitas, etc.) ainda não há um número catalogado, mas também já foi descrita uma nova espécie de arbusto localizada em nosso município, endêmica da região. Quanto à fauna, também não existem números catalogados para o município. Mas cabe destacar que Nova Petrópolis fez parte do primeiro levantamento de aves realizado no Estado do Rio Grande do Sul e publicado em língua alemã numa revista científica do Império Austro-Húngaro, em 1880. A maioria das 200 espécies de aves observadas para a nossa região naqueles anos ainda é encontrada nos dias atuais em nossas florestas. Outras já se extinguiram regionalmente, como é o caso do macuco e do falcão-de-peito-laranja, entre outras. 

Perfil esquemático com os principais tipos de vegetação com presença de árvores em Nova Petrópolis.  (https://isb.emnuvens.com.br/iheringia/article/view/130/137)

Porém, toda essa riqueza não está distribuída equitativamente pelas florestas do nosso município. Isso porque algumas espécies de plantas são climácicas (de clímax florestal), ou seja, desenvolvem-se apenas em florestas antigas, já muito raras na região. Quanto à fauna, ocorre o mesmo, algumas espécies não conseguem sobreviver em pequenos fragmentos florestais desconectados ou em florestas muito jovens.

Os motivos são muitos para preservarmos a vegetação, flora e fauna de nosso município. A Constituição brasileira (Art. 225) garante como direito de todo cidadão o meio ambiente ecologicamente equilibrado, reconhecendo o papel fundamental da vegetação, fauna e flora para as nossas vidas. A vegetação nativa é responsável pela “produção de água”, já que as raízes das árvores seguram a água no solo por mais tempo. O próprio ambiente florestal dificulta a evaporação da água do solo e do ar no interior da floresta, além de manter a temperatura mais baixa quando comparado a um ambiente sem florestas ou sem nenhuma cobertura vegetal.

Uma infinidade de insetos nativos polinizadores presta este importante serviço também para a agricultura. Diversas outras espécies da fauna auxiliam na regulação de populações de roedores e outras pragas das plantações. A nossa flora nativa apresenta grande potencial para utilização como espécies alimentícias, medicinais, ornamentais, fibras, etc. Outro grande potencial de Nova Petrópolis é o turismo ambiental, ainda pouco explorado no município. Na América do Norte e Europa, a observação de aves já responde por bilhões de dólares para a economia. No Brasil, está começando a crescer esse tipo de turismo conhecido por birdwatching, significando uma vantagem para Nova Petrópolis, que já tem vocação turística. Basta oferecer novos produtos e valorizar o que temos por natural.

Embora exista uma boa legislação ambiental em nosso país, muitas vezes ela não é seguida ou é aplicada de forma errada. Por isso, Nova Petrópolis necessita de uma Secretaria do Meio Ambiente independente e com técnicos concursados, evitando, assim, a ingerência política. A compensação ambiental e mitigação de impactos de empreendimentos, a manutenção de corredores ecológicos, bem como a criação de novos parques ambientais para preservação são caminhos para crescer e, ao, mesmo tempo preservar.


* Biólogo, Doutorando em Botânica na UFRGS (E-mail: martin.grings@gmail.com) 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Crime ambiental nas restingas da Laguna dos Patos, em Arambaré, RS

Entre os dias 9 e 10 de janeiro de 2021, constatou-se grave crime ambiental de corte de vegetação e queimadas em áreas de restinga na parte norte do município de Arambaré, RS, em margens a oeste da Lagoa dos Patos, na localidade tipo do único réptil endêmico do Rio Grande do Sul, Liolaemus arambarensis (lagartixa-das-dunas), que se encontra ameaçado de extinção (na categoria “Em Perigo”, de acordo com o Decreto Estadual no 51.797/2014) e no Brasil (Portaria MMA no 444/2014).

Corte de butiá (Butia odorata), espécie ameaçada de extinção, junto com outras espécies raras e características de restingas.


Lagartixa-das-dunas, única espécies de réptil endêmico do RS.

Este réptil faz parte das espécies alvo do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Repteis e Anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil[1]. A referida área estava com acesso fechado por moirões a veículos na zona da praia, com providências da prefeitura de Arambaré até dezembro de 2020, justamente para proteger a área de ocorrência original da espécie, a partir das informações científicas e intermediação com técnicos do ICMBIO e grupo de pesquisa da UFRGS, ligados aos planos de conservação das espécies ameaçadas para a constituição de área de conservação, tendo em vista o crescimento de projetos de loteamentos previstos para a zona próxima às praias de Arambaré. 
A nova administração do município manifestou-se refratária à criação da Unidade de Conservação, sendo seguida por setores que não reconhecem as alternativas econômicas aos grandes impactos convencionais representados por loteamentos, monossilvicultura, e abertura para atividades que representam maior degradação ambiental, como circulação de automóveis como caminhonetes 4 x 4. Infelizmente, alguns gestores do RS, em especial do Pampa, desconsideram a vocação na pecuária tradicional, os aspectos de potenciais turísticos de paisagens naturais únicas que poderiam gerar, via atividades ecoturísticas rarefeitas e orientadas por órgãos ambientais, gerando renda compatível com a sustentabilidade ecológica de áreas prioritárias para a biodiversidade como esta, além de manter qualidade de vida diferenciada dos grandes centros urbanos ou áreas com forte antropização.

Mapa da localização de Arambaré, uma das quatro áreas de ocorrência da lagartixa-das-dunas no RS

Com base ao acontecido, o InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais) encaminhou denúncia relativa às queimadas e cortes de vegetação, em especial de butiás (também ameaçados de extinção) no dia 18 de janeiro de 2021, à Promotoria do Ministério Público Estadual de Camaquã.

A queima da vegetação de restinga nativa associada à abertura da referida área para circulação de veículos por um grupo de “jipeiros” acabou comprometendo não só as espécies ameaçadas de extinção mas destrói vegetação protegida pela Lei da Mata Atlântica (Lei Federal 11.428/2006), constituída por campos arenosos, moitas arbustivas, capões baixos, butiazais, banhados, entre outros.

As intervenções que resultaram na destruição de dunas e restingas formadas predominantemente por gramíneas esparsas, principalmente capim-limão, espécie produtora de óleos essenciais aromáticos, que também representam abrigos fundamentais para a existência da lagartixa-das-dunas, que apresenta camuflagem adaptada às areias das dunas da Laguna dos Patos.

Queimadas criminosas em restingas de Arambaré. Se fosse incêndio acidental os espaços de areia sem vegetação seriam barreiras para expansão do fogo. 

As fotos revelam graves danos evidentes ao ecossistema de restinga, por meio de interferência que implicou em queima e corte de vegetação rara e em crítico estado de conservação.  Infelizmente o Patrulhamento Ambiental da Bigada Militar (Patram), ou Comando Ambiental da Brigada Militar, contatada por bombeiros, quando dos incêndios na vegetação, não pode estar presente no local desde o dia 10 de janeiro, justificando “falta de efetivo” para fiscalizar o crime cometido.  

Queimada das restingas de Arambaré nos primeiros dias de janeiro de 2021, vegetação protegida pela Lei da Mata Atlântica

Os "esportes" representados pela circulação de veículos em restingas implicam em grande impacto à  fauna (atropelamento) e flora (destruição).

Abertura de acesso para veículos 4x4 em área prevista para conservação da localidade tipo de Liolaemus arambarensis, com impactos sobre vegetação protegida pela Lei da Mata Atlântica.

As zonas costeiras são regiões de transição ecológica que desempenham importantes funções de ligação e trocas genéticas entre os ecossistemas terrícolas e de lagunas, onde existe inclusive espécies marinhas de peixes que desovam em tipos de vegetação como juncais e sarandizais da margem da Laguna dos Patos. Muitos alevinos e organismos jovens ou imaturos destas costas vivem com influência dos ecossistemas de restingas e dunas, como insetos e outros invertebrados. Constituem-se em ambientes complexos, diversificados e de papel fundamental para a sustentação da vida da Laguna dos Patos. A elevada quantidade de nutrientes e outras condições ambientais favoráveis, como os gradientes térmicos permitem excepcionais condições de abrigo e suporte à reprodução e à alimentação inicial da maioria das espécies que habitam as lagunas e inclusive migram desde o mar. As cadeias de relações são múltiplas, desde a produção de alimento para organismos marinhos que vivem nas costas até a presença de aves migratórias que, em ciclos anuais, buscam abrigo, alimentação e descanso para viagens entre continentes do hemisfério sul e do norte.

A zona costeira interna da Laguna dos Patos, na interface entre os ecossistemas terrestres, lagunares e com alguma influência marinha, é responsável por uma ampla gama de funções ecológicas, tais como a proteção contra a erosão da margem das lagunas e habitat para espécies ameaçadas de flora e fauna. Cabe destacar como elemento novo de impacto o incremento da elevação do mar e das lagunas, situação que tende a se agravar até o final deste século, com a elevação provável de pelo menos 50 cm do nível atual, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A pandemia do coronavírus, a saúde, o carvão mineral e outros poluentes

 Na terrível pandemia de coronavírus que assola as sociedades humanas do planeta, cabe refletirmos sobre algumas questões biológicas, ecológicas e políticas interrelacionadas ao ataque do vírus nas populações humanas, temas estes muitas vezes esquecidos ou não devidamente interconectados. Ou seja, em nosso cotidiano os elementos ligados à saúde de nossos “ecossistemas corpóreos” estão afastados das condições ecológicas (qualidade ambiental) e das políticas públicas conjuntamente disfuncionais (SUS em crise crônica, ausência de monitoramentos de agentes poluentes, falta de incentivo de pesquisas nas áreas de saúde ambiental, etc.).

Independentemente da origem do SARS-Cov-2, ainda polêmica, pelo menos deve-se levantar o tema do desequilíbrio ambiental e o aumento da vulnerabilidade dos organismos, sejam eles outros animais, como aves e suínos em condições de confinamento, como foi aos casos das chamadas “gripe aviárias”[1] (H5N6, H5n8) e “gripe suína” (H1N1), ou mesmo humanos, em condições de aumento da alimentação deficiente ou mesmo alvo de fragilização da saúde em decorrência da poluição aérea e de todo o tipo.


No caso dos animais, é evidente que milhares de aves, porcos ou bovinos, atualmente confinados e debilitados em sua condição de vida, são muito mais propensos a essas doenças. As condições convencionais da criação de animais, em escala industrial para a produção de carne, debilitam os sistemas de defesa, constituindo-se em um barril de pólvora para os contágios em massa e mutações de vírus e a seleção natural de cepas mais infecciosas

Muito provavelmente, estejamos ultrapassando em muito a sustentabilidade da saúde animal e ambiental a partir dos sistemas modernos de criação de animais confinados e com uso de insumos e de artificialização ambiental extrema, onde aumentam os riscos e a vulnerabilidade dos animais aos agentes patogênicos, sem falar nos aspectos éticos de tais confinamentos, onde torna-se evidente o sofrimento e as más condições de vida de suínos, aves, gado, etc.

Por outro lado, tanto animais domésticos como humanos temos sistemas imunológicos naturais, constituídos por um conjunto razoavelmente potente de anticorpos de defesa a vírus e microorganismos patogênicos. Entretanto, o funcionamento destes sistemas biológicos depende da saúde interna dos organismos potencialmente hospedeiros de agentes infecciosos. Este arsenal de defesa, constituído por células do sistema linfático e também pela saúde das células alvo de doenças, relacionadas às condições de maior ou menor penetrabilidade e vulnerabilidade frente aos vírus nos sistemas corpóreos (ex. células do epitélio da garganta), depende da boa nutrição e da vida saudável dos animais, inclusive os humanos[2]. Neste caso, a própria OMS admite a necessidade de incremento de alimentos sadios e não industrializados[3], o que no Brasil destacaríamos a importância de alimentos orgânicos e agrobiodiversos[4].

Lamentavelmente, as políticas de produção de alimento no Brasil desfavorecem a sustentabilidade representada pela produção mais saudável da agricultura familiar e incrementa a produção industrial de alimentos ultraprocessados e com baixos conteúdos de vitaminas e outros constituintes fundamentais. A extrema industrialização possui elevada carga de produtos sintéticos e favorece a liberação de radicais livres, provocando estresse oxidativo, matando células e alterando seu núcleo, com potenciais agentes carcinogênicos, ou mesmo afetando negativamente as células do sistema imunológico. Quem acaba sendo mais prejudicado, com falta de acesso a alimentos sadios, resultando em maiores deficiências nutricionais e baixa defesa imunológica, são as populações menos favorecidas, que representam a maioria em países como o Brasil.

No caso da poluição, principalmente aquela que atinge o sistema respiratório, é por demais conhecido que o comprometimento de pulmões, brônquios e o enfraquecimento do sistema imunológico por uma gama enorme de agentes poluentes. Segundo o Instituto Max Plank, morrem anualmente 8,8 milhões de pessoas em decorrência de doenças associadas à poluição aérea no mundo[5]. Os poluentes aéreos e os produtos tóxicos de todas as naturezas propiciam a facilitação de doenças infecciosas e, neste caso, também o SARS-CoV-2. Talvez não seja por acaso que a metrópole de São Paulo, a que carrega maior carga de poluentes aéreos do país, seja o epicentro dos casos de Covid-19 no Brasil. O Professor Paulo Saldiva, da USP, uma das maiores autoridades no assunto, alerta, desde 2008, para a morte de 12 pessoas por dia decorrentes da poluição aérea, somente naquela capital[6].

No caso do Rio Grande do Sul, além dos poluentes já existentes no ar, no solo, na água, no meio ambiente e nos alimentos (agrotóxicos), temos uma situação tremendamente ameaçadora que está relacionada aos principais grupos de risco do novo coronavírus. Trata-se de populações já atingidas pela poluição da mineração e/ou queima de carvão mineral, com comprometimento de seus pulmões e sistema respiratório, em cidades como Candiota, Arroio dos Ratos, Butiá e Minas do Leão, entre outras. Esta situação poderá piorar na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde os índices de poluição aérea já são altos, com a possível instalação da maior mina de carvão a céu aberto do Brasil, o Projeto Mina Guaíba, previsto para Eldorado do Sul e Charqueadas.

O uso do carvão mineral compromete não só o sistema respiratório, circulatório e neurológico de mineiros, que trabalham em sua extração, mas também de populações do entorno das minas ou termoelétricas a carvão, em especial as crianças que estão em pleno desenvolvimento pulmonar e dos sistemas cardiocirculatórios e neurológicos, como alerta documento da Associação dos Médicos pela Responsabilidade Social nos EUA[7]. Segundo Petsonk et al. (2013)[8], a mineração de carvão está relacionada a uma série de doenças causadas pela inalação de poeira de minas de carvão, provocando doenças pulmonares intersticiais históricas (pneumoconiose do trabalhador de carvão, silicose e pneumoconiose de poeira mista). Desenvolvem-se, nos mineiros de carvão, a fibrose difusa relacionada à poeira e doenças crônicas das vias respiratórias, incluindo enfisema e bronquite crônica. Doenças como estas, estão associadas à liberação de poluentes, principalmente aéreos, como: material particulado (poeiras da mineração ou pluma derivada da queima); gases sulfurosos, nitrogenados, e ozônio, derivados da mineração ou queima de carvão, e que prejudicam as vias respiratórias; o mercúrio e os demais metais pesados, que têm impacto negativo sistêmico no organismo humano, entre outros. Cabe destacar que a emergência climática, decorrente de combustíveis fósseis como o carvão, causa maior debilidade à saúde e menor resiliência ecossistêmica, o que é um prato cheio para este e outros vírus e patógenos.



Inclusive, caberia analisar os casos não raros de Covid-19 que vem afetando, de forma surpreendente, menores de idade ou mesmo jovens no Brasil, ao contrário de outros países. Estariam os jovens brasileiros com maior debilidade de saúde decorrente de agentes poluentes ou da poluição ou a outras más condições de vida no país?

Assim, cabe analisarmos a situação da pandemia e das crises ecológicas de forma mais ampla e integrada, com base na ciência, e fortalecendo-se órgãos de vigilância sanitária, pesquisas em saúde e meio ambiente, e verificarmos a situação tanto do sistema imunológico humano, animal, qualidade ambiental e o direito a um sistema de saúde digno, infelizmente em processo de sucateamento no Brasil (principalmente após a EC 95/2016, que congelou para baixo os gastos em saúde educação). E na perspectiva de superação da pandemia do Covid-19, rever os descaminhos da economia que desconsidera os limites da natureza, aliando-se obrigatoriamente à ecologia, abandonando os agentes poluentes como o carvão e todas as formas de ameaças à saúde humana e dos demais seres vivos.



[8] PETSONK, E. L.; ROSE, C., and COHEN, R. Coal Mine Dust Lung Disease. New Lessons from an Old Exposure. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicin. Vol. 187, Issue 11, (2013): 1178–1185. Disponível em: https://www.atsjournals.org/doi/abs/10.1164/rccm.201301-0042CI#readcube-epdf.  Acesso em 02 de jul. 2019