Dyozzyfer Silva Garcia, Karina Maria Wermann, Karen Roselaine da Silva Barbosa, Paulo Brack, Marina Fülber
1. Introdução
Os Jardins Botânicos no Brasil devem seguir a Resolução Conama
n. 339/2003.
Entre as finalidades destas áreas estão a manutenção de acervos de plantas
vivas, pesquisas científicas e maior conhecimento da biologia e comportamento
de espécies de nossa flora, fora da natureza (conservação ex situ), e cultura e
conhecimento à sociedade quanto aos vegetais nativos ou exóticos de diferentes
partes do mundo. Também os JBs servem para atividades de educação ambiental,
propagação e divulgação da importância das plantas na nossa vida.
O Jardim Botânico de Porto Alegre, criado em 1958, possui um Plano Diretor que define suas finalidades, suas diferentes coleções.
Cabe lembrar que o Brasil assinou compromissos com os demais
países da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), destacando-se atender 16
metas da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC). Dentre estas,
a Meta VIII estabelece que, até 2020,
75% das espécies de plantas ameaçadas devem estar conservadas em coleções ex
situ e que pelo menos 20% das
espécies da flora ameaçada de uma região sejam utilizadas em programas de
recuperação e restauração de hábitats. O Brasil elaborou uma Estratégia Nacional para a Conservação
Ex-Situ de Espécies Ameaçadas da Flora Brasileira (Costa et al. 2016)
No que se refere às plantas ameaçadas de extinção Ex Situ encontradas no Jardim
Botânico de Porto Alegre, Julia Fialho Soares (2018) realizou um levantamento com base na Lista das 804 Espécies
da Flora Nativa Ameaçadas de Extinção do Rio Grande do Sul (Decreto n°
52.109/2014), com auxílio de técnicos do JBPA. Entre estas, com base nas 789 espécies de plantas vasculares da
flora nativa ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul, 145 espécies foram encontradas nas coleções ex situ do JBPA, ou
seja, 18,38% . Deste número, 39 spp. estão enquadradas na categoria
de ameaça “Vulnerável”, 51 spp. “Em Perigo” e 55 spp. como “Criticamente em Perigo”. As coleções do arboreto do JBPA possuem 61
espécies, enquanto as coleções
envasadas possuem 84 spp. Verificou-se que 72 espécies (50%) do total
representado no JBPA apresentam até dois exemplares, o que denota que um número de indivíduos muito baixo por espécie, o que compromete manter a variabilidade
genética, dificultando também, em alguns casos, a maior eficiência
reprodutiva, entre outros aspectos. Do total, 78 spp. são endêmicas do Brasil, sendo 33 spp. endêmicas do Rio Grande
do Sul. Tais resultados indicam que o JBPA possui, em suas coleções ex
situ, um número importante, mesmo que insuficiente, de espécies e de exemplares
de plantas ameaçadas de extinção do Rio Grande do Sul.
Este acervo vivo deve ser mantido e salvaguardado pelo poder
público do Estado do Rio Grande do Sul,
por meio de políticas públicas que garantam a quantidade ideal de
funcionários, a estrutura física apropriada e o aporte financeiro suficiente
para mantê-lo, ampliá-lo, pesquisá-lo e
divulgá-lo à sociedade.
2. Lista das espécies do Arboreto do
Jardim Botânico de Porto Alegre
Apuleia leiocarpa (grápia)
Aralia warmingiana (cinamomo-do-mato)
Aspidosperma riedelii (guatambuzinho)
Butia odorata (butiazeiro)
Callistene inundata (sarandi-do-rio-das-antas)
Castela tweediei (romãnzinha)
Colletia paradoxa (espinho-cruz)
Esenbeckia hieronymi
Lafoensia nummularifolia (dedaleira-pequena)
Margaritaria nobilis
Myracrodruon balansae (pau-ferro-missioneiro)
Myrocarpus frondosus (cabreúva)
Podocarpus sellowii (pinheiro-bravo)
Prosopis nigra (nhanduvá)
Trithrinax acanthocoma (carandaí, ibitiriá)
Xylopia brasiliensis (pimenta-de-macaco)
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Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr.
Nomes Comuns: grápia, guarapiapinha, grapiapunha,
garapa-amarela, ibira-perê (tupi-guarani).
Família: Fabaceae
Descrição: Árvore
que pode chegar a 40 m de altura, com 60-100 cm de diâmetro. Tronco retilíneo
ou um pouco inclinado, com o fuste longo, atingindo dentro da mata, a metade ou
mais de sua altura. Casca acinzentada-clara nos ramos aéreos e castanho-clara
na parte da base do tronco, com descamações semi-circulares. Ramos ascendentes;
folhas imparipinadas, de 5-15 cm de comprimento, caindo no inverno. Folíolos
ovalados ou elípticos, alternos, de +- 5 cm de comprimento. Inflorescências de
3 a 5 cm de comprimento, inseridas no ápice de ramos desfolhados ou nas pontas
de raminhos muito novos. Flores de cor branca ou creme, masculinas e
hermafroditas, de cerca de 0,5 cm de diâmetro. As flores hermafroditas,
zigomorfas, dispostas no centro das inflorescências, com um carpelo e dois
estames. As flores estaminadas, actinomorfas, dispostas na periferia da
inflorescência com três estame; cálice com 3 sépalas, livres, iguais, verdes e
amareladas. Fruto é uma vagem
indeiscente e achatada, lembrando uma pequena raquete, de cor castanho-clara,
com uma semente arredondada, achatada, dura e escura, de cerca de 0,7 cm de
diâmetro.
Nível de Ameaça:
Criticamente Ameaçada (CR) pelo Decreto Est. n.
52.109/2014. É considerada ameaçada, pois as populações de árvores de maior
porte foram alvo de corte para uso da madeira, sem reposição. Além disso, em
vários pontos do Estado onde ocorre é dificil de se encontrar regeneração.
Fenologia:
Floresce na primavera e frutifica no final do verão e outono. Sementes que
podem podem apresentar infestação de brocas ou ser consumidas por periquitos, prejudicando a sua regeneração
natural (Backes et Irgang, 2002). Frutos que se dispersam pelo vento.
Ecologia: Espécie de semi-sombra, secundária inicial,
geralmente com baixa regeneração, podendo ocorrer em interior de matas ou
clareiras. Solos úmidos escuros das matas ciliares ou argilosos, não rara em
solos rasos rochosos de encostas. Ocorre até a altitude de 700 m. No RS, ocorre
em florestas em estádio maduro, sendo pouco comum ou rara em florestas jovens.
Distribuição geográfica: Ocorre
desde a Venezuela e Nordeste do Brasil (RN) até os Estados do Sul, estando
presente na Floresta Atlântica até a altura do RJ e, mais ao sul, mais restrita
às florestas de interior (Floresta Estacional Decídua) (Lorenzi, 1992). Bem
distribuída no norte do Estado (Alto Uruguai)
limite sul da espécie é na bacia do rio Jacuí (Depressão Central), no
Rio Grande do Sul, tendo sido encontrada até São Sepé e região, em baixadas
junto aos rios.
Usos: Considerada como “madeira
de lei”, homogênea e sem falhas, dura, pesada, muito resistente e durável,
mesmo quando exposta (Reitz et al. 1983, Backes et Irgang, 2002). A madeira de
cor bege-clara, às vezes rosada até amarelo-pardacento-clara, sendo fácil de
trabalhar. Cobiçada pelo setor madeireiro, principalmente para determinadas
utilidades em construção civil e naval, tendo sido muito utilizada em
dormentes, obras de torno, carrocerias de caminhão, taboinhas para cobrir casas
e tacos para piso. Foi considerada a melhor madeira nativa para construção de
barris de cerveja, pipas e tonéis de vinho e cachaça, hoje sendo comercializada
várias marcas de cachaça com grápia. Madeira com alto teor de lignina, sendo
considerada muito boa para produção de coque. A casca contém até 24% de tanino,
tendo sido utilizada em curtumes (Reitz et al., 1983). Também tem uso como
medicinal com indicações com propriedades anti-sifilíticas. Ornamental,
restrita a áreas de parques e praças, principalmente pelo porte e pelo tronco e
casca clara que contrasta com a folhagem verde-escura. Flores procuradas por
abelhas melíferas. Sementes possuindo um produto denominado galactomanana,
excelente espessante utilizado em pudins e outros alimentos, e até em cremes de
barbear, podendo ser um importante insumo para indústrias alimentícias.
Propagação e cultivo: As
sementes devem ser retiradas manualmente dos frutos, limpas e selecionadas logo
após a secagem. As sementes apresentam dormência tegumentar, sendo recomendado
o uso de tratamentos como a imersão em água quente, escarificação mecânica e química
(ácidos). Recomenda-se armazenagem em câmara seca, à temperatura ambiente e
UR=50%. As sementes podem levar 60 dias para germinar. Nos viveiros, as mudas,
no primeiro ano, têm desenvolvimento relativamente lento, podendo alcançar 0,50
m. As mudas têm sistema radical axial muito pronunciado, com poucas raízes
laterais, o que indica a necessidade de poda da raiz.
O que pode ser feito:
proteção de unidades de conservação, conservação ex situ, incluindo parques e
praças, incentivando-se a propagação e de florestamentos de nativas,
consorciados, com fins ecológico-econômicos
Bibliografia:
BACKES, P. & IRGANG, B.
2002. Árvores do Sul: guia de identificação e interesse ecológico. Porto
Alegre: Clube da Árvore. 326 p.
CARVALHO, Paulo E. R. 2003.
Espécies arbóreas brasileiras. Colombo: Embrapa Florestas.
LORENZI, H. Árvores
Brasileiras, Manual de identificação e cultivo de Plantas Árboreas Nativas do
Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 302 p
REITZ, R., KLEIN, R. M.
& REIS, A. 1983. Projeto madeira do Rio Grande do Sul. Sellowia, v. 34-35,
p. 1-525.
http://www.sementesul.ufsc.br/novo/secao_especies/detalhe_especie.asp?esp_id=173
Aralia warmingiana (Marchal) J. Wen
Nomes comuns: carobão, cinamomo-do-mato
Família: Araliaceae
Descrição: Árvore
com folhas caducas. Sua altura pode ser de até 25 m ou mais. Tronco retilíneo,
casca acinzentada A copa é rala e irregular, composta de folhas grandes, o que
lhe confere uma aparência distinta. Suas folhas são alternas, grandes e
tripinadas, medindo de 20 cm a 90 cm de comprimento por 15 cm a 35 cm de
largura. Flores hermafroditas, actinomórficas, brancas, medindo até 1 cm de
diâmetro e seus frutos são uma drupa obovóide. Já as sementes são brancas,
medindo de 4 mm a 5 mm de comprimento.
Fenologia: Floração
de novembro a janeiro, em Minas Gerais e de dezembro a fevereiro, no Rio Grande
do Sul. Frutos maduros ocorrem em maio, em Minas Gerais e de maio a junho, no
Rio Grande do Sul.
Ecologia: em
determinadas regiões comporta-se
como espécie pioneira. No Rio Grande do Sul é muito rara, sendo encontrada no
Bioma Mata Atlântica, Floresta Estacional Decidual e Semidecidual. Não parece
muito exigente quanto a solos, ou seja, é indiferente às propriedades
físico-químicas dos solos, tendo seu crescimento rápido, podendo atingir 4 m de
altura aos 2 anos. Zoocórica, sendo dispersa por várias espécies de aves.
Distribuição: ocorre de
forma natural na Argentina, no México e no Paraguai . No Brasil, essa espécie
ocorre nos estados da Bahia. Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná,
Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e
São Paulo.
Usos: Pode ser usada para a
fabricação de papel, sendo a madeira decorativa e boa para usos ornamentais,
como encapados e lâminas, podendo ser empregada também em forros, confecção de
caixas leves, brinquedos e lápis. É extremamente ornamental, principalmente pelo
tronco retilíneo, e forma elegante de sua copa, com folhas concentradas no
ápice, sendo importante para o paisagismo em geral. Frutos suculentos e
consumidos por várias espécies de pássaros. Pela importância à fauna e rapidez
de crescimento, é indicada para plantios heterogêneos destinados à restauração
de áreas degradadas e de preservação permanente.
Propagação: os frutos devem ser colhidos diretamente da
árvore, quando adquirirem coloração roxo-escura e iniciarem a queda espontânea.
Recomenda-se semear em sementeira, e a germinação ocorre de 30 a 60 dias após a
semeadura e a taxa de germinação geralmente é superior a 50 %. As mudas ficam
em condições para o plantio após 9 meses.
Referência:
GIEHL, E.L.H. (coordenador)
2022. Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. URL:
http://floradigital.ufsc.br
CARVALHO, P. E. R. 2008.
Carobão: Aralia warmingiana.In. Espécies arbóreas brasileiras. v. 3. Colombo,
PR : Embrapa Florestas;
Aspidosperma riedelii Müll.Arg.
Nomes comuns: Guatambu-mirim, guatambuzinho
Família: Apocynaceae
Descrição: Árvore
de pequeno porte, até 3 ou 4 m de altura. Ramos com densa folhagem,
apresentando com casca castanho-acinzentada, escura, com lenticelas brancas.
Folhas alternadas, helicoidais, obovadas ou em forma de espátula (espatuladas),
de cerca de 5 cm a 6 cm de comprimento e
2 cm a 2,5 cm de largura. Látex presente nas folhas. Flores tubulosas, de 1 cm
ou 1,5 cm de comprimento, com ápice mais aberto, em forma de funil, de cor
creme e 5 pétalas em forma de catavento (prefloração torcida). Sépalas verdes. Fruto seco, achatado,
semicircular, lenhoso, de cor cinza-escura, que se abre por uma fenda
longitudinal e lança as sementes achatadas pelo ar.
Fenologia: Floresce
em outubro e novembro e aparentemente frutifica em julho e agosto.
Ecologia:
Floresta Estacional Semidecidual, Vegetação Sobre Afloramentos Rochosos, beira
de cursos de água.
Distribuição: No Brasil ocorre em São Paulo, Paraná e Rio
Grande do Sul.
Nível de Ameaça: Criticamente ameaçada (CR) pelo Decreto Estadual n.
52.109/2014.
O que pode ser feito: proteger
as Unidades de Conservação e eventualmente criar outras áreas com este fim,
propagar esta espécie em viveiros e reintroduzir na natureza e em plantios em
parques e jardins, divulgar o tema.
Butia odorata (Barb.Rodr.) Noblick & Lorenzi
Nomes comuns: butiá-comum, butiá-azedo,
Família:
Arecaceae
Descrição: Palmeira
de caule cilíndrico, grosso, escamoso, coberto de cicatrizes foliares, sem
ramificações. Folhagem verde-acinzentada de folhas penadas, de 2 a 3 m de
comprimento. Apresenta inflorescências amplas (1- 1,5 m de comprimento),
protegidas por uma espata lenhosa, em forma de barco, de cor
castanho-acinzentada sem pelos. A inflorescência reúne uma série de espigas compostas, com flores amarelas, trímeras, estaminadas e
pistiladas, de cerca de 1 cm de comprimento.
Fenologia:
Floresce nos meses de novembro a janeiro. Os frutos são ovais carnosos, de
coloração laranja, de cerca de 2 a 3 cm de diâmetro. A frutificação ocorre nos
meses de janeiro a março.
Ecologia: Ocorre
principalmente em campos de solos secos e arenosos, sendo tolerante à seca e à
geada. Necessita muita luz (heliófita).
Distribuição: No Brasil é encontrada desde Minas Gerais
até o RS, sendo mais comum neste Estado.
Estado de Conservação: Em Perigo
(EN) pelo Decreto Estadual 52.109/2014.
Utilidades: Planta
ornamental e melífera. Espécie ameaçada de extinção devido a dificuldade de
regeneração das mudas novas, as quais são consumidas por bovinos. Frutífera
para a fauna e para o homem, que produz licores, sorvetes, geleias e vinagre. A
amêndoa é comestível e fornece óleo alimentar, tido como vermífugo. As folhas
são utilizadas ainda para cobertura de ranchos, confecção de chapéus de palha,
cestas, fibras, colchões e estofados em geral.
Produção e cultivo: A semeadura deve ser feita logo após o amadurecimento dos frutos. A seleção de sementes é importante pois muitas delas apresentam ataque por larvas de insetos. As sementes levam de 3 a 6 meses para germinar. A germinação é de cerca de 50%.
Callistene inundata Bueno, Magalhães & Nilson
Nomes comuns: sarandi-do-rio-das-antas
Família: Vochysiaceae
Descrição: Árvore
de pequeno porte (3 a 6 m), de ramos e troncos acinzentados, levemente rugosos
e galhos com base para cima e extremidades pendentes. Folhas opostas,
linear-lanceoladas, oblongas, brilhosas, com ápice bem agudo, com 1 cm de
largura e 4 cm de comprimento . Flores brancas de cerca de 2 cm de diâmetro.
Frutos desconhecidos.
Fenologia: floresce
entre outubro e novembro. Frutifica no Verão. Folhas tornam-se avermelhadas e
caem parcialmente no inverno.
Ecologia:
corrente em áreas de floresta ciliar sujeitas a inundação, sobre solos
pedregosos rasos associados a afloramentos basálticos (Bueno et al., 2000).
Distribuição: Única
espécie da família Vochysiaceae com ocorrência no Rio Grande do Sul, sendo
endêmica da vegetação ciliar da sub bacia Taquari-Antas. endêmica do Rio Grande
do Sul (França, 2012), e até o momento é conhecida apenas da sub-bacia
Taquari-Antas
Nível de Ameaça: As
florestas ciliares da sub-bacia Taquari-Antas são ameaçadas devido à intenção
de se construir ali dezenas de barragens para geração de energia, o que
inundaria grande parte ou mesmo toda a área de distribuição de Callisthene
inundata.
A espécie é considerada
Criticamente em Perigo (CR), de acordo com a lista oficial da Flora ameaçada de
extinção do Rio Grande do Sul. A EOO é de apenas 847,18 km² sujeita a uma única
situação de ameaça. O habitat da espécie é seriamente ameaçado pela construção
de barragens para geração de energia hidrelétrica, o que pode vir a inundar
toda a sua área de ocorrência. Além disso, todos os municípios onde a espécie
foi coletada encontram-se bastante desmatados, o que permite suspeitar que
esteja havendo um declínio contínuo da qualidade da vegetação ciliar onde C.
inundata ocorre. A espécie deve ser urgentemente contemplada pela criação de
uma unidade de conservação de proteção integral que proteja ao menos parte da
sua distribuição.
Usos: Planta ornamental, com
perda parcial de folhas e algumas que ficam avermelhadas no inverno.
O que pode ser feito: proteger as
Unidades de Conservação e eventualmente criar outras áreas com este fim,
propagar esta espécie em viveiros e reintroduzir na natureza e em plantios em
parques e jardins, divulgar o tema.
CNCFlora.
Callisthene inundata in Lista
Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da
Flora. Disponível
em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Callisthene
inundata> . Acesso em 13 outubro 2022.
Colletia paradoxa (Spreng.) Escal. (Família Rhamnaceae)
Nomes comuns: espinho-cruz;
quina-cruzeiro
Descrição: Planta arbustiva de 1,5 a 3 m de altura,
eventualmente maiores, com ramos achatados, esverdeados ou levemente
acinzentados, em forma de cruz, com extremidades triangulares e espinescentes
na extremidade dos ramos. Folhas elípticas a ovaladas, alternas ou subopostas,
com limbo liso, de 0,5 cm de comprimento, às vezes pouco evidentes e caducas.
Flores brancas cilíndricas, de menos de 1 cm de comprimento, com 5 pétalas. Frutos secos, com três gomos, de
cerca de 0,5 cm de diâmetro, de cor castanha, com três sementes arredondadas
escuras.
Fenologia: Floresce
no outono e frutifica no inverno [1]. Tem polinização cruzada, por
abelhas e outros himenópteros e moscas silvestres (dípteros)[Bastos-Záchia, 2019].
Ecologia: Planta
de sol (heliófila), ocorrendo em afloramentos rochosos em áreas de morros principalmente no Pampa, na região do Escudo
Cristalino Sul-Rio Grandense, parte do Litoral Sul e em matas da região dos
Aparados e dos Campos de Cima da Serra. Ocorre em pequenas populações isoladas,
sendo que o alto grau de fragmentação de seu habitat diminui o fluxo gênico
entre os espécimes e consequentemente perder a variabilidade genética [Bastos-Záchia, 2019]
Distribuição: Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e Sul do Brasil..
Nível de Ameaça:
Vulnerável pelo Decreto Est. n. 52.109/2014, tendo como principal critério a
redução da população (passada, presente e/ou projetada);
Usos: Planta com forma muito
particular, pode ser utilizada como cerca-viva. É considerada medicinal, sendo as raízes e cascas dos ramos
utilizadas para baixar a febre [Bastos-Záchia, 2019] .
O que pode ser feito: manter áreas de vegetação savanóide no Pampa, limitar a
silvicultura em vegetação onde a espécie ocorre, criar Unidades de Conservação.
Utilizar a espécie em cercas-vivas ou como ornamental em jardins rochosos (CNCFLORA). Propagar esta
espécie em viveiros e cultivo em parques (conservação ex-situ).
Propagação: pouco conhecida. Possui
crescimento lento. Plantios em ambientes com alta incidência de luz solar, com
solos rochosos, arenosos e bem drenados, necessidade de irrigação (Stumpf et
al., 2009).
Nomes comuns: cutia,
mamoninha-do-mato
Descrição: Arvoreta
de 2,5 a 5 m altura. Folhas opostas ou subopostas, ternadas, ou seja, com 3
folíolos, cada um deles, em média, de 10 cm de comprimento e 5 cm de largura,
sendo o folíolo central maior que os laterais. Cor das folhas verde-claro. Nervura principal impressa ou canaliculada na
face inferior, nervuras laterais pouco salientes em ambas as faces.
Inflorescência terminal, ereta, densamente pubescente. Flor com pétalas cor
creme e amarronzadas quando secas,
textura cartácea. Fruto cápsula arredondada e dura, de cerca de 2,5 cm
de diâmetro, possuindo 5 aberturas em fenda, com superfície com projeções
externas, como carrapicho. Semente e ovóide e levemente achatada.
Fenologia: Floresce
de dezembro a fevereiro. Frutifica entre junho e agosto.
Ecologia: Habita
matas semideciduais por ser uma espécie semidecídua, habita também matas
ripárias, de restinga e capoeiras da Mata Atlântica.
Distribuição: Ocorre no
Mato Grosso do Sul, São Paulo e Região Sul. No Rio Grande do Sul, ocorre
restrita ao Litoral Norte, sendo rara, com registro (SpeciesLink) para Santo
Antônio da Patrulha.
Nível de Ameaça:
Criticamente Ameaçada (CR) pelo Decreto Est. n. 52.109/2014.
Usos: A espécie poderia ser
usada na ornamentação de praças e espaços urbanos.
O que pode ser feito: proteger as Unidades
de Conservação e propagar esta espécie em viveiros e reintroduzir na natureza e
em plantios em parques e jardins. Além de divulgar o tema para a população,
assim possam conhecer e ajudar a não destruir a espécie.
Propagação: se propaga através de
sementes que demoram de 25 a 35 dias para germinar, com preferência a solos
argilosos, úmidos e férteis. É uma espécie heliófita, portanto necessita de
total exposição solar.
Referência:
Pirani, J.R.; Groppo, M. Rutaceae in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de
Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB596>.
CNCFlora. Esenbeckia hieronymi in Lista Vermelha
da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flor. Disponível em
<http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Esenbeckia hieronymi> .
Giehl, E.L.H. (coordenador)
2022. Flora digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. URL: http://floradigital.ufsc.br
Da SILVA, Juliana &
PERELLO, Luis. (2019). CONSERVAÇÃO DE ESPÉCIES AMEAÇADAS DO RIO GRANDE DO SUL
ATRAVÉS DE SEU USO NO PAISAGISMO. Revista da Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana. 5. 01. 10.5380/revsbau.v5i4.66314.
Euterpe
edulis Mart
Nome
comum: Palmeira-juçara, palmiteiro, ripeira, ripa, Palmiteiro
Descrição: Palmeira
ornamental de caule estreito, reto e alongado, com altura entre 7 e 18 m.
Folhas penadas, pecíolo curto. Pinas estreitas e alongadas dispostas em um
plano. Flores amarelas reunidas em longas inflorescências amarelas, cobertas
por uma espádice. Fruto esférico, de cor roxa ou negro-vináceo, de 1,5 a 2 cm
de diâmetro. O amadurecimento ocorre entre maio e novembro. Uma palmeira pode
produzir até 10.000 sementes em um ano. A semeadura é feita em sacos plásticos
com terra adubada e com boa drenagem. durante a primavera. Geralmente, as
plântulas emergem no inicio do verão.
Fenologia
Ecologia Ocorre no subosque das matas tropicais úmidas
do sudeste do Brasil. No Rio Grande do Sul ocorre entre Torres e Santa Cruz do
Sul, em altitudes de 5- 600 m.
Distribuição:
Estado de conservação: Em
Perigo, conforme o Decreto 52.109/2014. Alvo de estrativismo, para retirada do
palmito de forma indiscriminada.
Utilidades: Seu
palmito é muito procurado e consumido nas região sul e sudeste do Brasil. Deve
ser plantada em locais semi-sombreados. É espécie ornamental desde pequenas
mudas em vaso de interiores até quando adulta em jardins. A casca do fruto
fornece matéria tintorial para tingimento de tecidos. O caule pode ser
utilizado em construções rústicas, daí provindo o nome “ripa”.
Produção e cultivo: Um
quilograma possui cerca de 770 frutos. A viabilidade é de cerca de 3 meses
(LORENZI, 1992). Não é necessário despolpar as sementes dos frutos. A semente
deve ser embebida em água durante 24 horas antes da semeadura. Deve ser
utilizado substrato de serragem ou matéri orgânica nas sementeiras, podendo-se
ter bom êxito em caixas de madeira. A germinação é demorada, ocorrendo de 30 a
120 dias, com viabilidade acima de 70 %.
Lafoensia nummularifolia
Nomes comuns: dedaleira-branca
Família:
Lythraceae
Descrição: Arbusto
ou arvoreta de até
2,5 m a 3 m de altura
e com ramos tetrágonos, apresentando folhas
opostas, estreitamente ovadas ou suborbiculares ( 7- 15mm), sésseis
ou subsésseis e
curtamente acuminadas. Flores, com pétalas com pétalas brancas de
18-25mm e bordos ondulados e crespos, apresentam 16 estames por flor, com
filetes de 20-40mm, e ovário globoso-aplanado, com estilete de 35-40mm e estigma pouco
evidente.
Fenologia: Flores
em novembro e frutos no final do verão e outono
Ecologia: Ocorre
geralmente em formações campestres associadas ao bioma Mata Atlântica e
Cerrado, em áreas úmidas. Aparentemente abundante no norte do Paraná,
tendo sido registrada em Santa
Catarina apenas em solos rochosos às margens do rio Uruguai, na altura do
Estreito, próximo à cidade riograndense de Marcelino Ramos,
bem como perto
de Itapiranga. No
Rio Grande do Sul, a espécie foi coletada em apenas dois
locais: no vale do rio das Antas e no Parque Estadual do Turvo, sempre em
margens de cursos de água.
Distribuição: Ocorre
nos Estados de São Paulo e sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul)
Usos: por ter flores
bonitas pode ser usada como planta ornamental em pátios e praças públicas.
O que pode ser feito: Nas
últimas décadas, a expansão de atividades agropecuárias e silviculturais vêm
reduzindo drasticamente as áreas de vegetação campestre da região dos Campos
Gerais do Paraná, e as áreas remanescentes são ameaçadas pela invasão de espécies
exóticas, é essencial que espécies como essa sejam protegidas. Por ser uma
espécie com flores bonitas pode-se criar projetos onde se incentive o uso delas
para ornamentação, porém estas plantas
correm o risco de perderem ainda mais a variabilidade genética, pois para
ornamentação, os criadores/melhoristas podem priorizar (selecionar)
determinadas características em detrimento de outras.
Propagação: não encontrado
Referência:
Raddatz, D. D., Machado, P.
F. dos S., Rosa, R. C. da, Dewes, J. J., Sutili, F. J., & Marchiori, J. N.
C. (2018). Anatomia do lenho de duas espécies de Lafoensia (Lythraceae).
Balduinia, (63), 20–29. https://doi.org/10.5902/2358198034914
Cavalcanti, T.B. Lafoensia
in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em:
<https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB8783>.
CNCFlora. Lafoensia
nummularifolia in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro
Nacional de Conservação da Flora. Disponível em
<http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Lafoensia
nummularifolia>.
Margaritaria nobilis L. f.
Nomes comuns: sobragirana, figueirinha
Família Phyllanthaceae
Descrição: Árvore de
até 15 m de altura, ramos glabros. Folhas alternadas dísticas com limbo
elíptico, oblongo a oblanceolado. Flores
estaminadas muitas por glomérulo. Flores pistiladas com ovário geralmente 4- ou
5-locular. Os frutos são deiscentes, revestidos por um exocarpo verde e caem
espontaneamente depois de maduros). Após abertos, exibem 4 cocas na coloração
azul metálico, protegidas por um endocarpo fino e hialino que, após algum tempo
de exposição ao ar, torna-se branco. Há quatro lócus por fruto e cada um possui
duas cocas com exotesta preta contendo uma semente cada.
Fenologia: Na Mata
Atlântica, onde é nativa, sua floração ocorre de novembro a dezembro e a
frutificação inicia em fevereiro e pode ser prorrogada por mais seis meses.
Ecologia: A espécie
é arbórea, terrícola e de ambientes úmidos. Possui ocorrência no interior da mata, em locais úmidos como as matas ciliares e
florestas da várzea amazônica. A espécie ocorre em margens de rios e alagados
como os encontrados nas florestas ombrófilas densas da Amazônia e na Mata
Atlântica.
Distribuição: A espécie
ocorre nos estados Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Tocantins, Acre, Rondônia,
Maranhão, Pernambuco, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. No Sul do Brasil a
espécie apresenta dispersão larga, porém, descontínua e inexpressiva
Usos: A espécie poderia ser empregada na proteção e
ornamentação das margens de corpos d’água naturais ou artificiais no espaço
urbano. A espécie M. nobilis é utilizada
principalmente para usos ornamentais e medicinais. Apresenta crescimento rápido
e tolerância a áreas abertas, sendo que sua madeira é leve e apodrece facilmente
e, devido a esta característica, a mesma é mais utilizada para caixotaria e
embalagens
O que pode ser feito: Esta espécie está
presente em várias áreas de conservação permanente, mas é pouco conhecida. Portanto, a utilização para ornamentação de
espaços urbanos poderá manter um banco genético muito maior.
Propagação: Sementes com
dormência fisiológica, como as de M. nobilis são permeáveis à água, mas
apresentam inibição de mecanismos fisiológicos no embrião, que impedem a
emergência da radícula, bem como podem variar no que diz respeito à resistência
do mecanismo de inibição, resposta ao ácido giberélico e requisitos de quebra
de dormência. O melhor tratamento para
superação da dormência fisiológica das sementes em um ambiente controlado é a
combinação de GA3 + etileno na concentração de 1mmol L-1 + 2mmol L-1, respectivamente,
e submetido à temperatura de 20-30°C, alternadamente
ReferênciaS:
Agustini, M. B., Wendt, L., Malavasi, M. de M., Sabii, L. de B. C., Battistus, A. G., & de Lima, P. R. (2016). SUPERAÇÃO DE DORMÊNCIA FISIOLÓGICA EM SEMENTES DE Margaritaria nobilis (Linnaeus). Revista Inova Ciência & Tecnologia / Innovative Science & Technology Journal, (2), 14–19. Recuperado de https://periodicos.iftm.edu.br/index.php/inova/article/view/35
CNCFlora. Margaritaria nobilis in Lista Vermelha
da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora
Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Margaritaria
nobilis>
Silva, O.L.M.; Cordeiro, I.
Margaritaria in Flora e Funga do Brasil.
Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB38479>
Myracrodruon balansae (Família Anacardiaceae)
Nomes comuns: Pau-ferro-missioneiro,
pau-ferro-do-sul; urunday (Argentina)
Descrição: Árvore que pode atingir de 15 a 20 m de altura. Tronco
rugoso, acinzentado, com fissuras. As folhas são compostas imparipinadas,
alternas, com 10 cm a 20 cm de comprimento e sete a quinze folíolos opostos.
Fenologia: O Sistema
sexual dessa espécie é polígama-dióica. A proporção de indivíduos masculinos e
femininos é de 2:1. O vetor de polinização é
principalmente feito pelas abelhas e diversos insetos pequenos. A floração
acontece de agosto a janeiro, no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de
janeiro a fevereiro, no Rio Grande do Sul. O processo reprodutivo tem início
entre 15 a 20 anos de idade, em plantio.
Ecologia: O
pau-ferro-do-sul é comum na vegetação secundária. Em sua região de ocorrência
natural, no Rio Grande do Sul, ele cresce como espécie dominante da vegetação
ou formando bosques quase puros e descontínuos, conhecidos como pau-ferral, com
frequência de até 213 indivíduos por hectare. O pau-ferro-do-sul é uma árvore
de longa vida. Myracrodruon balansae é uma espécie encontrada na Estepe Arborizada,
no Planalto Sul-Rio-Grandense, onde ocupa o estrato emergente e na Estepe
Parque, no Planalto da Campanha Gaúcha.
Myracrodruon
balansae ocorre, naturalmente, em solos rasos litólicos de coloração escura,
pedregosos, com afloramentos rochosos, medianamente profundos, de textura
argilosa, típicos dos sítios com problemas de drenagem.
Distribuição: Espécie que ocorre apenas
no Rio Grande do Sul, nas regiões noroeste e oeste do Estado (região das
Missões e Campanha). Fora do Brasil, tem registros para Argentina e Paraguai.
No Brasil, essa espécie
ocorre apenas no Rio Grande do Sul, distribuída da Região das Missões até o
Alegrete, na Região da Campanha.
Nível de Ameaça: Em Perigo (EP)
Usos: A madeira, por ser resistente à flexão e ao choque, pode ser usada em construção geral, carpintaria rural, carroçarias, pisos, estacas para construção de pontes, dormentes, postes, palanques, mourões, tornearia ou objetos talhados. Para a energia, produz lenha de boa qualidade, com poder calorífico de 4.500 kcal/kg, já para celulose e papel, essa espécie é inadequada para esse uso. Além disso, o pau-ferro-do-sul apresenta até 16 % de extrato tanante na casca, com uso em curtume.
O que pode ser feito: Repovoamento e criação de UCs.
Propagação: O plantio quase homogêneo, a pleno sol, é recomendado.
Brota de raiz, após corte.
Referências:
https://www.ufrgs.br/viveiroscomunitarios/myracrodruon-balansae-pau-ferro/
chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPF-2009-09/44062/1/circ-tec149.pdf
Myrocarpus frondosus Allemão
Nomes comuns: Cabreúva, óleo-pardo, bálsamo.
Família Fabaceae
Descrição: Árvore inerme,
caducifólia, heliófila, monóica, oleoresinífera, até 18m de altura e 60cm de
D.A.P. casca moderadamente espessa: ritidoma suberoso, sulcado, de superfície
variando de bege a brancacenta e a cinzenta: casca interna rosada. Folhas
alternas, imparipinadas. Fruto seco, indeiscente
Fenologia: Os indivíduos de M.
frondosus perdem suas folhas na estação seca; florescem com folhas novas, entre
setembro e outubro; e apresentam frutos maduros entre novembro e novembro. As
flores são frequentadas por himenópteros, com destaque para abelhas de pequeno
porte, que devem ser seus principais polinizadores. Os frutos com as sementes
são dispersos pelo vento, para os arredores da planta-mãe.
Ecologia: Arbórea, atingindo entre 6 e 27,5 metros de altura. Ocorre
em Mata Pluvial, Mata de Encosta, Mata Higrófila do Sul da Bahia, em Borda de
mata, e em Restinga arbórea. Indicam que a espécie floresce nos meses de
outubro e novembro, e frutifica entre novembro e fevereiro (sendo o último mês
registrado para os frutos maduros). Já a floração ocorre a partir de fevereiro
e estende-se até dezembro, e a frutificação em março, junho, e de agosto a
dezembro. Além disso, o autor infere que os espécimes do Rio de Janeiro e Bahia
florescem de fevereiro a agosto, os de São Paulo e Espírito Santo iniciaram sua
floração em maio estendendo-se até novembro, e os espécimes do Paraná, Santa
Catarina, Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina floresceram de agosto até
dezembro. Sendo frequente a presença de flores e frutos em um mesmo indivíduo.
Morim (2002) sugere os meses de março, abril e julho para floração, e julho e
outubro para frutificação.
Distribuição: Ocorre na Argentina,
Bolívia e Brasil, nos estados das regiões Sul e Sudeste, em uma fração da
região Centro-Oeste e na Bahia. Tem sido referida para florestas ombrófilas, e
florestas estacionais associadas a solos de média a alta fertilidade. É rara no
cerrado, com registros de ocorrência apenas em alguns pontos de Minas Gerais,
Goiás, e Distrito Federal.
Nível de Ameaça: Vulnerável (VU)
Usos: A madeira de M.
frondosus é considerada de alta qualidade e de grande versatilidade nas suas
regiões de maior ocorrência, já tendo sido empregada em obras internas na
construção civil, e em confecção de móveis de luxo, objetos decorativos,
instrumentos musicais e tonéis, entre outros artefatos. O oleoresina exsudado
pelo tronco é utilizado na fitoterapia popular, principalmente contra afecções
respiratórias, e tem emprego na indústria de perfumes e cosméticos. A casca, as
folhas e as sementes também são usadas essas afecções. A espécie possui
atributos que a torna apropriada para arborização urbana e rural, recomposição
de áreas desmatadas, implantação de sistemas agroflorestais e plantios para
produção de madeira nobre e de oleoresina.
O que pode ser feito: Não comprar móveis feitos de madeira extraída dessas
árvores. "Nas lojas, é preciso pedir a certificação da madeira para o
vendedor. Ele é obrigado a fornecer.
Propagação: Na produção de mudas, é importante o uso de frutos recém-amadurecidos que tenham
sementes bem desenvolvidas. Estas são postas para germinar dentro dos frutos,
sem tratamentos pré-germinativos. A semeadura deve ser realizada em recipientes
de no mínimo 25 x 15 cm, contendo substrato organo-argiloso e mantidos em
ambiente com 30% a 50% de sombreamento.
Referências:
https://www.arvoresdobiomacerrado.com.br/site/2017/09/08/myrocarpus-frondosus-allemao/
Ocotea
odorifera (Vell.) Rohwer
Nome comum: canela-sassafrás
Família: Lauraceae
Descrição: Árvore de porte
médio (12-20 m), de folhagem perene, de tronco e casca aromáticos, de cor
marrom acinzentada. Copa arredondada. Folhas verde escuras, alternas, simples,
brilhantes e aromáticas de 7-15 cm de comprimento e 2,5-4 cm de largura. As
flores são de tamanho reduzido, de cor creme. Os frutos são ovalados de 1,5-2
cm de comprimento. Floresce entre setembro e janeiro, frutificando entre abril
e junho.
Ecologia: Desenvolve-se melhor
na mata úmida e sombria, em solos arenosos ou argilosos.
Estado de conservação: Criticamente
Ameaçada (CR), de acordo com o Decreto Estadual n. 52.109/2014
Distribuição:Ocorre desde Minas
Gerais até o nordeste do RS. ao longo da Mata Atlântica, correndo sério risco
de extinção. No RS tem distribuição no Litoral Norte, ao longo da Encosta da
Serra Geral e Planície Costeira.
Utilidades: Os frutos são
aproveitados pela fauna em geral.. A madeira de cor pardo-claro-avermelhado é
moderadamente pesada, utilizada para móveis. A destilação do tronco, ramos e
folhas fornece óleo essencial contendo
safrol, utilizado em perfumaria. Muito utilizada no RS para fabricação de
recipientes para aguardente devido ao gosto picante e ao aroma. É utilizada como medicinal
externamente em contusões. Alguns autores alertam para uma possível toxidez ao
fígado devido ao uso interno continuado. Pode ser utilizada em arborização de
praças e parques e em reflorestamento enriquecedor de capoeiras.
Produção e cultivo: Um quilograma contém
aproximadamente 650 frutos. A semente é quase do tamanho do fruto. Seu poder
germinativo reduz-se drasticamente em alguns dias. A germinação ocorre entre 30
e 40 dias e a perda é grande (LORENZI,1992). A muda deve ser protegida da luz
direta do sol e necessita de solos férteis. (Sanchotene, 1989).. Seu
crescimento é médio à lento.
Nomes comuns: Pinheirinho, pinheirinho-da-mata, pinheiro-bravo.
Família Podocarpaceae
Descrição: Arvoreta a árvore
perenifólia. As árvores maiores atingem dimensões próximas de 25 m de altura e
50 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade
adulta. O tronco é reto, com fuste medindo até 18 m de comprimento. Apresenta esgalhamento esparso, além de
cicatrizes de folhas e escamas impressas e unidas em retículo. A casca tem uma
espessura de até 10 mm. A casca externa é pardacenta, levemente fendilhada,
descamando-se em lâminas finas, que ficam mais ou menos soltas na árvore, caem
aos poucos e com as pontas dobradas para cima. A casca interna é carmim-clara e
levemente perfumada. As folhas são sésseis, glabras, pouco rígidas, oblongas,
ou oblongo-lanceoladas, medindo de 6 a 13 cm de comprimento por 7 a 15 mm de
largura. São alternas, com ápice agudo, pecíolo curto e nervura central um
pouco elevada acima, com leve sulco entre duas arestas na página inferior
elevada, desaparecendo para o ápice. Geralmente, a ponta da folha não é
espinhosa.
Fenologia: O sistema sexual dessa
espécie é dióica. O vetor de polinização é essencialmente feito por abelhas e
diversos insetos pequenos. Dispersão de frutos e sementes: é zoocórica,
principalmente pela avifauna
Ecologia: Árvore perene, que
habita áreas florestais e campestres em grande parte do território brasileiro.
Fértil durante o ano todo e é polinizado pelo vento.
Grupo ecológico ou
sucessional: o pinheiro-bravo é uma espécie secundária tardia. Contudo, é
uma espécie sem caracterização ecológica
Distribuição: Ocorre na Bolívia e
Brasil, nos estados do Pará, Acre, Rondônia, Pernambuco, Bahia, Alagoas,
Sergipe, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Gross do Sul, Minas Gerais,
Espirito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul.
Nível de Ameaça: Criticamente Ameaçada
(CR)
Usos: Apresenta uso comercial
das folhas e madeira, com finalidade energética, medicinal, paisagística,
madeireira, e também na recuperação ambiental de áreas florestais.
O que pode ser feito: Propagação: Recomenda-se o plantio
misto associado com espécie pioneira ou plantio em vegetação matricial arbórea,
com abertura de faixas, em capoeiras e feito em linhas. Essa espécie brota na
base do colo.
Referências:
file:///C:/Users/gustavo/Downloads/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-2-Pinheiro-Bravo.pdf
Prosopis nigra (Griseb.) Hieron. (Família Fabaceae)
Nomes comuns: algarrobo-negro, nhanduvai
Descrição: Árvores
de copa em forma de guarda-chuva, com ramos pêndulos e espinhos geralmente
geminados ou alternos na base de cada folha, podendo estar ausentes em ramos
novos. Casca do tronco e caule de cor marrom-escura. Folhas bipinadas pinas 1–2
pares, opostas; foliólulos pequenos e numerosos, 25 a 35 pares, estreitamente
oblongos, com um pouco mais de 1 cm de comprimento. Inflorescências em espigas
cilíndricas brancas, axilares. Flores branco-esverdeadas a amarelas; pequenas;
cálice campanulado; pétalas estreitas; estames numerosos e esbranquiçados.
Frutos vagens achatadas levemente curvas, de cor bege-escuros.
Fenologia: Floresce
entre agosto e setembro e amadurece seus frutos entre novembro e março.
Provavelmente possui polinização principalmente por abelhas. Frutos como vagens
achatadas, deiscentes sem obtermos registros científicos de sua dispersão.
Ecologia: Planta de
ambientes abertos (vegetação parque com espinilho), em áreas planas que sofrem
verões secos e de altas temperaturas e invernos chuvosos. Sua regeneração na
natureza é quase nula, pela destruição de seu hábitat.
Distribuição: principalmente
na região do Chaco, no Paraguai, mas também Argentina, Bolívia e Brasil. No Brasil,
ocorre no extremo oeste do Mato Grosso do Sul e no estremo oeste e sudoeste do
Rio Grande do Sul.
Nível de Ameaça: Criticamente
Ameaçada (CR) pelo Decreto Est. n. 52.109/2014.
Usos: Casca do tronco possui tanino. A madeira com cerne marrom. Na Argentina se usa a medeira para
móveis e barris. É planta melífera e produz sombra. As vagens têm uso
alimentício, devido a um agradável sabor doce, usadas para produzir farinha,
pães, bolos, bebidas fermentadas.
O que pode ser feito: proteger as Unidades
de Conservação (Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí) e criar
outras áreas com este fim, propagar esta espécie em viveiros e reintroduzir na
natureza, em especial em áreas de pastagens bem manejadas em vegetação parque
de espinilho, e em plantios em parques e jardins, divulgar o tema.
Propagação:
http://www.cpatsa.embrapa.br/catalogo/livrorg/algaroba.pdf
http://www.agr.una.py/cgi-cef/cef.cgi?rm=detalle&ID=111
https://www.scielo.br/j/cflo/a/T9mWggmqLnHK6D6z4VHHJVj/?lang=pt
Trithrinax acanthocoma Drude
Nomes comuns: carandaí, carandá, carandá-moroti,
buriti-palito.
Família Arecaceae
Descrição:
Palmeira de caule único, cobertos de bainhas, fibras e espinhos trançados, com
folhas em leque, partidas até a metade, com pontas rígidas. Pode possuir parte da basal do caule lisa, em
ambientes naturais submetidos a queimadas.
Frutos esféricos de cerca de 2,5 cm de diâmetro, de cor verde clara ou
levemente amarelados, com uma semente arredondada de 1,5 cm de diâmetro.
Fenologia: Floresce
no verão e amadurece seus frutos em março. Tem polinização principalmente por
formigas e vespas. Frutos dispersos pela fauna, sendo citados os esquilos
serelepes.
Ecologia: Planta
necessariamente de sol (heliófila). Em afloramentos rochosos, em áreas abertas
do Planalto do RS, na borda ou clareiras da Floresta com Araucária e penhascos
rochosos da Floresta Ombrófila Densa no litoral do RS e sul de SC. Infelizmente
sua regeneração na natureza é quase nula, pela destruição de seu hábitat.
Distribuição: Região
Sul do Brasil e Paraguai.
Nível de Ameaça:
Criticamente Ameaçada (CR) pelo Decreto Est. n. 52.109/2014.
Usos: Uso como ornamental, folhas e pecíolos com potencial de
utilização para fibras para tecelagem, como chapéus de palha e artesanato.
Frutos amargos e doces, utilizados in natura ou em bebidas alcoólicas.
O que pode ser feito: proteger as Unidades
de Conservação e eventualmente criar outras áreas com este fim, propagar esta
espécie em viveiros e reintroduzir na natureza e em plantios em parques e
jardins, divulgar o tema.
Propagação: geralmente deixa-se
os frutos imersos em água por 24h e depois macera-se a polpa, para retirada do
coquinho (“semente”) que pode ser colocado em canteiros ou sacos com terra
orgânica, levando geralmente mais de meio ano para germinar, não tendo uniformidade
na germinação. Perde o poder germinativo em alguns meses. Crescimento muito lento, praticamente 1 ou 2
folhas/ano e após 2 ou 3 anos cresce um pouco mais rápido e já pode ser
plantado definitivamente, sempre bem protegida.
Referências: http://reflora.jbrj.gov.br/ ;
Xylopia brasiliensis Spreng (Família Annonaceae)
Nomes comuns:
pindaíba, cortiça, pandauvuna
Descrição: Árvore
perenifólia, com folhas alternadas dísticas estreitamente lanceoladas. As
árvores maiores atingem dimensões próximas de 30 m de altura e 80 cm de DAP
(diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta. O
tronco é reto e bem cilíndrico, sem canais ou sapopemas. O fuste mede até 16 m
de comprimento. . A copa é piramidal, com ramos novos revestidos por pêlos
subseríceos, levemente curvos, medindo cerca de 0,25 mm, mais tarde glabros e
cobertos por lenticelas esbranquiçadas.
A casca
tem uma espessura de até 18 mm. A superfície da casca externa é lisa a
finamente fissurada, avermelhada a cinzento-escura e pulverulenta. A casca
interna é fibrosa, de cor marrom-creme e com estrias mais claras. Exala um
aroma agradável, semelhante ao da cânfora ou Cinnamomum canphorae. As folhas são simples, alternas, aromáticas,
subcartáceas, dísticas, com a lâmina foliar medindo 4 a 10 cm de comprimento e
0,7 a 2 cm de largura. São estreito-lanceoladas, discolores, com ápice cego e
perinérveo, base aguda e nervuras pouco pronunciadas nas (folhas jovens) ou
glabrescentes (folhas adultas). O pecíolo mede de 2 a 3 mm de comprimento.
Fenologia: Sistema
sexual é monóica. As flores dessa espécie são cantarófilas, além de ajudarem na
polinização, os besouros também comem as partes carnosas da flor. É possível
que a presença de hipanto (anel lenhoso) seja para proteger os carpelos, em
menor número que os estames, contra o ataque de predadores. A floração é de
novembro a fevereiro no nosso Estado. Os frutos amadurecem de setembro a
novembro. A dispersão de frutos e sementes é essencialmente zoocórica. É
possível que a vasta dispersão dessa espécie pelo Brasil meridional tenha sido
auxiliada pelas aves que se alimentam da substância carnosa que fica presa às
sementes.
Ecologia: Grupo
ecológico ou sucessional: espécie secundária inicial ou clímax tolerante à
sombra.
Distribuição:
Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila
Mista, Floresta Ombrófila Densa, da Bahia ao Rio Grande do Sul.
Nível de
Ameaça: Criticamente Ameaçada (CR)
Usos: A espécie pode ser utilizada para afins ornamentais,
também pode ser empregada na construção civil, caibros, vigas, tamancaria,
tabuados, marcenaria.
O que pode ser feito:
Propagação: Melhor
meio de propagação é o transplantio de mudas dos povoamentos para viveiros e
sua posterior mudança para o campo.
Referências:
chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140883/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-2-Pindaiba.pdf
COSTA, M.L.M.N.,
BAJGIELMAN, T. (Orgs.), 2016. Estratégia Nacional para a conservação ex stu
de espécies ameaçadas da flora brasileira. Centro Nacional de Conservação da
Flora — CNCFlora : Jardim Botânico do Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson, Rio
de Janeiro. 24 p. Disponível em: https://dspace.jbrj.gov.br/jspui/handle/doc/66 |
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